Dias antes do casamento, o noivo recebeu uma saraivada de balas. Sentiu no corpo o desconforto agradável de ser atacado por convidados e pessoas presentes à sinagoga para acompanhar a cerimônia da leitura da Torá.
O rabino, com um sorriso maroto, mirou o seu rosto e acertou uma bala bem na ponta do queixo. Até doeu, mas o noivo logo sorriu. Desembrulhou a bala e a chupou, sentindo o sabor de morango se espalhar pela boca. Entendeu a mensagem.
Os que jogam atuam como os invejosos que tentam transformar os maus sentimentos em algo construtivo.
Fazem o papel da realidade, transfigurada na bala, pura demonstração de que a vida é, ao mesmo tempo, dura e doce.